Exercício físico induz 'reciclagem' de células para proteger contra doenças
20/01/2012

Investigadores do Howard Hughes Medical Institute, nos EUA, descobriram como o exercício físico induz as células a quebrar proteínas indesejadas para produzir mais energia, impedindo distúrbios metabólicos como diabetes e protegendo contra outras doenças, como alguns tipos de cancro, avança o portal ISaúde.

Nesse processo, conhecido como autofagia, a célula elimina organelas velhas e alimenta-se do material que ela expele. Noutras palavras, é um processo de "reciclagem" das células, que permite que elas se adaptem às mudanças nas demandas energéticas e nutricionais do corpo.

Essa "reciclagem" previne o desenvolvimento da resistência à insulina, que tem como principal consequência a diabetes tipo 2. Noutros estudos, já se mostrou também que o processo retarda o envelhecimento e protege contra alguns tipos de cancro.

Os cientistas sabem há muito tempo que a fome pode desencadear um impulso na autofagia. A investigadora Beth Levine e os seus colegas suspeitaram que o exercício, por aumentar a demanda das células por energia, pode ter um efeito semelhante.

Para testar a ideia, ela e os colegas usaram ratinhos transgénicos cujas células produzem uma proteína verde brilhante sempre que ocorre a autofagia. Em seguida, eles colocaram esses ratinhos em passadeiras. Após 30 minutos de corrida, o músculo dos roedores e as células do coração estavam cobertos de pontos verdes.

Em seguida, Levine e os colegas realizaram experiências com ratos mutantes que não eram capazes de realizar autofagia. Os investigadores alimentaram os ratos mutantes e normais com uma dieta rica em gordura durante quatro semanas. Não surpreendentemente, os ratos ganharam peso e desenvolveram uma doença semelhante à diabetes tipo 2.

Em seguida, eles colocaram os ratos num regime de exercícios rigorosos, durante oito semanas e ainda forneceram uma dieta rica em gordura. Os ratos normais perderam peso e a diabetes desapareceu. As suas células musculares recuperaram a capacidade de manter o açúcar. Os ratos mutantes que se exercitaram na passadeira também perderam peso, mas não conseguiram nenhum dos benefícios metabólicos; os seus níveis de açúcar no sangue permaneceram altos.

"Os dados sugerem que, para obter os benefícios, a autofagia é realmente necessária", observa Levine.

O próximo passo da equipa será investigar se a autofagia também pode explicar por que o exercício regular protege contra o cancro, doenças neurodegenerativas e envelhecimento.


Fonte: Pop

       
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